terça-feira, 7 de maio de 2013

Lago

Águas paradas
profundas
escuras

Lago de incertezas
Peixinhos em sofreguidão
A isca até parece esperança
Incerteza por incerteza
Questão de simples escolha.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Logo o vento muda

Seus cabelos grisalhando. O tempo é implacável. E nós ainda não sabemos o amanhã.
Amanhã pode ser que o sono perdido não me faça mal. O sonho guardado talvez apareça depois. Mesmo que significá-lo demore mais, mesmo que tudo fique distante.
A vida não é um jardim florido, como acreditávamos em um tempo recente e que já não sabemos contar. Os galhos secos, que horrorizam o outono, encondem raízes vivas e profundas na terra.  Logo o vento muda e as folhas voltam a crescer. Assim, tudo transforma. Você, eu, as árvores e o mundo. 
Eu gostaria de te dizer coisas tocantes, como aquelas escritas em convites de casamento, mas quando penso em algo do tipo...desato a rir, faço piadas e me lembro que somos corpo e essência, que a palavra é mero instrumento de dizer o que se articula na consciência, e o sentir...sabe-se lá onde está escondido.
Confesso que em alguns momentos, em muitos momentos, penso em um futuro para nós. Temo por você, já que não represento nada, assim, tão promissor. A ansiedade acaba quando você, calmamente, pergunta: Você foge de quê? Minha resposta é ficar mais um pouco. Esse mais um pouco talvez seja sempre, não sei, nem é possível saber.
E se alguém me perguntar: O que é o amor? Eu direi: É um substantivo que teimam em personificar. Direi também que é uma ideia, lucrativa, ora se não é! As novelas na TV, estão aí para nos provar.A você direi que o amor é algo de que não se fala. Não é substantivo nem se transforma em verbo, e se não se enquadra nessas normatizações garanto que não é palavra.


A terra em mim, um grão em você...assim seguimos, sem conhecer a cor do elo que nos prende.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O menino na cadeira

Aprende a palavra menino
Decora a palavra menino
Prende à palavra outra palavra menino
E é só isso menino
É só isso.


Desenhe a letra menino
Desenhe bonito menino
Aqui não pode coisa feia
Coisa feia, ô menino.

Menino, não conversa
Presta atenção menino
Ocupa seu lugar menino
Que está bem delimitado.

E o que é delimitado? - Ele pergunta

É você menino! - A resposta que paira no ar


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Viralatice

Essa minha Língua
viralatas nos becos
das palavras marginais.

E o que é a marginalidade?
Um empurrão
para baixo
que transforma para cima?

Eita Língua!
Te pintaram um pedigree
Te fizeram cão de guarda
Mas te vejo por aí
dócil e saracoteante
Te ouço por aí
as vezes triste
ganindo
outras em afirmação
latindo.

O casal

"Quero gostar de coisas sem nome", foi o que ela disse ao sair. E saiu sentindo. Naquele dia passeou pela rua do meio. Ventava e as folhas do outono ornamentavam a rua encardida. Foi para a casa, turbulenta e silenciosa.
Augusto estava no sofá, havia adormecido com um livro sobre o colo, parou para observá-lo por um eterno e agitado segundo interno, ensaiou tocá-lo mas foi para o quarto.
Olhou seu quarto branco, frio. O vento intruso balançava as cortinas, e o gato Azevedo pulou na cama, contrastando a pelagem negra com a claridade do espaço.

Eu sei quem ele é, mas não sei o que é para mim. Foram anos para decidir compartilhar as vivências e talvez passarei o indefinido tempo: "Até que a morte nos separe" entendendo o que é isso. Não sei se estou disposta, mas quero estar. O que vestirei essa noite? Odeio coquetéis de lançamento,  mas ele acha importante que eu vá, e eu gosto que ele ache importante. Espero que a Gardênia não apareça, detesto ter de ser educada para não causar mal estar. E ele me dirá "seja paciente, serão apenas algumas horas". Ele, que não sabe o que as horas significam para mim. (encarou o teto)

Augusto despertou. Não precisou de muitos passos para chegar a cozinha, onde encheu uma taça com vinho português, já passava das cinco, horário em que, naquela casa, a embriaguez estava permitida. 

Puta que pariu. Onde está o contrato? O Zé Carlos disse que eu tenho de levar uma cópia, não sei para quê merda. Talvez ela saiba onde está, mas acho que está naqueles dias de não querer conversar, entrou nessa de se entender agora. E para ela eu não sou compreensivo, porra, eu também já passei por isso, ela é quem se acha o centro do universo. Mas ela pode, se eu tivesse aquelas pernas também me acharia. (sorriu)

Encontraram-se na sala. Se você os visse imaginaria que nenhum dos dois pertencia aquele espaço, que teriam saído de lugares diferentes. Estavam prontos para sair e trocaram olhares por alguns instantes.
O coquetel aconteceu, perfeitamente. Os convidados esperaram com seus copos de Uísque, pacientemente, por duas horas a chegada do escritor.

domingo, 14 de abril de 2013