quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A poesia está nas palavras

Não há poesia em mim
A poesia está nas palavras
Que juntas ou amontoadas
Transmitem a mensagem
Que o peito sente
E a boca cala

Em mim estão os medos,
As aflições, as urgências
Em mim está o amor,o calor
A percepção
É no meu peito que pulsa o coração


A poesia transforma o sentimento,
Traduz o pensamento, codifica o óbvio
A poesia ultrapassa o momento
Eterniza a palavra
Tornando-a imune a força do tempo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Coração surrado

Em meu coração
Pulsa um amor
Reprimido,
Amor bandido,
Amor que insiste
Em ser sentido.

Escrever poesia sem sentimento?
Escrever poesia
Consentimento
Daquilo que cresce comigo,
Um sentimento
Que nasceu cansado,
E lateja nas fibras
De um velho coração
Surrado
Magoado de viver.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Corda bamba

Vestida de preto
Ela ensaia um samba
Ousada e valente
Quer dançar na corda bamba
Sob seus pés um precipício
E um tenebroso mar de lembranças
Mas não se importa
Toca a dança
Para um lado e para o outro
A fina corda balança.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Adeus ano velho

O ano passou
e o que ficou
ficou.
O ano correu
tão rápido
apressado,
Quem estava distraído
nem percebeu
Ao longo desse ano muita coisa aconteceu
O que era fraqueza
se fortaleceu
O que era destempero
é agora Ideal
O que era chama virou labareda
O que era gelo derreteu
E nada do que era está igual.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Neurose da vida

Antítese existencial
Sofrimento fundamental
Ser é a questão do sujeito
Ardência de si mesmo
Nó atado no peito

E não tem jeito
Não tem jeito

Cativo de si
Cansado de si
Imagem retorcida
No espelho da alma
Neurose da vida
Busca incessante pela calma.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tecido

Agulha
Barbante

Prende
Entra
Sai

Elo
Laço

Cresce a malha
Em negra linha
Ponto a ponto
"Crocheteando" a vida

A morte de um belo jardim

No jardim
Há três roseiras
Cada uma com três rosas
Mas deixaste de regar a terceira,
Depois a segunda,
Em seguida a primeira
Deixaste de adubar a terra
As pétalas caem uma a uma
Gotas de tom vermelho
Caem na terra seca
Você não vê?
Não vê!
Seu jardim morre,
As raízes enfraquecem
O sol cada vez mais forte.
O beija-flor encerrou suas visitas diárias
As minhocas decidiram esburacar outro canteiro
O abandono do jardim já dura um ano inteiro.
A arrogância não lhe permite ver
Que precisas da ajuda de outro jardineiro.