sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Um incrédulo em busca de sentido - Exercício nº 2
O que sou eu perante o mar, senão um grão. O que sou eu perante o Universo, senão uma partícula. Eu e a rocha na qual deposito minha matéria para contemplar, embora constituídos de elementos distintos, nesse momento somos um, ao menos prefiro eu acreditar que seja assim. Quanto ao "firme fundamento das coisas que se espera", tento confiar, que o sistema, que rege toda vida existente, continue a funcionar em nosso favor, que o limite que nos separa da lucidez absoluta mantenha-se intacto e que sobre algum espaço para as tão necessárias ilusões, que as pernas não vacilem no meio da longa estrada, nem tampouco encaminhem o corpo para a beira do penhasco do desespero. Que os desejos mantenham-se pulsantes e ativos e que sejam bem representados, para que possamos reconhecê-los e direcioná-los, deliciosamente.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Um incrédulo em busca de sentido - Exercício nº 1
Mas se o desejo de quem vai fica, no ar ou em nós, precisamos rever algumas coisas. Primeiro, esqueçamos o domínio que temos sobre aquilo que brota em nós e que tomamos posse e trancafiamos com chaves de quatro segredos no baú das ilusões. Depois, é preciso observarmos a dinâmica das relações, o que há do outro em nós e principalmente o que há de nós no outro. Cabe aqui uma intervenção, essas primeiras recomendações valem para a hipótese de que o desejo de quem vai permanece em nós...
Caso haja suspeita de que o desejo de quem vai paira no ar, e toca na superfície de tudo quanto existe, seja ser animado ou inanimado, é preciso que haja harmonia do ser que suspeita com as coisas do universo, um resquício de fé, e alguma criatividade para imaginar a cor dessa energia, seu tom, seu canal e seu norte.
Caso haja suspeita de que o desejo de quem vai paira no ar, e toca na superfície de tudo quanto existe, seja ser animado ou inanimado, é preciso que haja harmonia do ser que suspeita com as coisas do universo, um resquício de fé, e alguma criatividade para imaginar a cor dessa energia, seu tom, seu canal e seu norte.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Tereza atarantada
Tereza atarantada
Constrói a vida em meadas
De bastidor na mão
E nos cabelos
uma flor avermelhada
Tereza é mulher de fibra
De linha e cor
Muita habilidade nas mãos
E Pouco jeito para o amor
Um dia Tereza viu Ricardo
Quando ele a percebeu desviou o olhar
Mal sabia que perdia
grande chance de amar
Mas a vida foi gentil com Tereza
E lhe trouxe Alaor
Tereza atarantada
deixou cair o bastidor...
Constrói a vida em meadas
De bastidor na mão
E nos cabelos
uma flor avermelhada
Tereza é mulher de fibra
De linha e cor
Muita habilidade nas mãos
E Pouco jeito para o amor
Um dia Tereza viu Ricardo
Quando ele a percebeu desviou o olhar
Mal sabia que perdia
grande chance de amar
Mas a vida foi gentil com Tereza
E lhe trouxe Alaor
Tereza atarantada
deixou cair o bastidor...
sábado, 26 de maio de 2012
A dinâmica dos mitos
Antes era
o vento
O relâmpago
o trovão
Era a chuva que caia
a montanha
o mar
o Universo
Depois veio a criatividade
Homens sobrepondo-se a homens
Veio a culpa
O pecado
A busca pelo eterno perdão
Hoje o sucesso
O poder
O dinheiro na mão
A beleza, a juventude e a alienação.
o vento
O relâmpago
o trovão
Era a chuva que caia
a montanha
o mar
o Universo
Depois veio a criatividade
Homens sobrepondo-se a homens
Veio a culpa
O pecado
A busca pelo eterno perdão
Hoje o sucesso
O poder
O dinheiro na mão
A beleza, a juventude e a alienação.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Balanço
Perdi a linha
Entortei o verso
Quebrei a estrofe
Empobreci a rima
Exaltei o lixo
Enobreci a dor
Perturbei o silêncio
Insultei o sagrado
Sacralizei o profano
Transgredi por prazer
Repeti o erro
Compartilhei a desgraça
Soneguei a alegria
Trilhei a estrada tortuosa
Estaquei diante da retidão
E ainda quero ser igual a mim
A imagem para além do espelho
Luz casada com a sombra
Flor e espinho
Abismo e jardim
Entortei o verso
Quebrei a estrofe
Empobreci a rima
Exaltei o lixo
Enobreci a dor
Perturbei o silêncio
Insultei o sagrado
Sacralizei o profano
Transgredi por prazer
Repeti o erro
Compartilhei a desgraça
Soneguei a alegria
Trilhei a estrada tortuosa
Estaquei diante da retidão
E ainda quero ser igual a mim
A imagem para além do espelho
Luz casada com a sombra
Flor e espinho
Abismo e jardim
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Aconteceu
Ela olhava para o espelho havia quinze minutos. Sentiu uma leve tontura e sentou-se na poltrona rosa que havia em seu quarto. Experimentou uma grande angústia, sensação de impotência, medo do futuro. Não havia solução, ele estava lá. Decidiu telefonar para sua melhor amiga, a ligação entretanto foi direcionada à caixa de mensagens. Levantou-se, voltou ao espelho, mexeu nos cabelos, ali ficou por mais dez minutos. Precisava falar com alguém, ligou para Aurélia mesmo.
- Oi! Lélinha?
- Oi!
- Aconteceu!
- Quando?
- Percebi hoje.
- Ai amiga, não se preocupe, amanhã marco um horário com a Clô, vai dar tudo certo.
- Você não está entendendo, nunca mais será a mesma coisa, estou deixando de ser eu mesma, de ser original.
- Tenha calma, você está levando tudo muito a sério.
- Preciso desligar.
Voltou ao espelho, pegou o fio branco e o arrancou violentamente da cabeça.
- Oi! Lélinha?
- Oi!
- Aconteceu!
- Quando?
- Percebi hoje.
- Ai amiga, não se preocupe, amanhã marco um horário com a Clô, vai dar tudo certo.
- Você não está entendendo, nunca mais será a mesma coisa, estou deixando de ser eu mesma, de ser original.
- Tenha calma, você está levando tudo muito a sério.
- Preciso desligar.
Voltou ao espelho, pegou o fio branco e o arrancou violentamente da cabeça.
No dia seguinte
Usava uma camisola de seda azul, sentada numa espreguiçadeira na sacada de seu apartamento apreciava a noite viva na cidade acompanhada de uma taça de vinho branco. Tivera um dia difícil. Não queria pensar na agenda do dia seguinte, mas pensava e bebia, pensava e bebia. Até que adormeceu. Acordou com frio e uma leve dor de cabeça, levantou-se e percebeu que havia algo errado em seu apartamento, não conseguia identificar, mas algo estava fora do lugar. Olhou no relógio, se não se apressasse chegaria atrasada ao trabalho, tomou banho e saiu, o metrô estava lotado, sentia-se cansada logo pela manhã, como se seu dia estivesse para terminar, como que por "osmose" deixou a composição. Quando chegou à rua, que era seu destino, surpreendeu-se, o prédio onde trabalhava havia desaparecido, andou a rua de ponta a ponta, como se o prédio pudesse ter mudado de lugar, estava desesperada, pensava no atraso, nos compromissos, no encontro com Augusto da contabilidade, chegou a pensar que talvez estivesse enganada já que nas grandes cidades as ruas costumam ser muito parecidas, olhou uma placa, era mesmo aquela, viu um senhor de barba longa e cabelos grisalhos do lado oposto ao que estava, atravessou para perguntar a ele se conhecia o edifício Girassol. Acordou com frio e uma leve dor de cabeça, levantou-se e percebeu que seu gato havia derrubado sua imagem de São Francisco de Assis. Telefonou para o escritório avisando que não iria trabalhar.
Assinar:
Postagens (Atom)